Intervenção estatal na economia, benéfica ou maléfica?

"O Estado deve garantir a geração de empregos, fomentando a economia nacional"! Aposto que você já deve ter ouvido essa frase pelo menos uma vez na sua vida. Os que defendem essa tese, de que o Estado deve fomentar a economia, devido a uma suposta falha do mercado, para que assim, possa ser garantido, emprego e progresso econômico, adoram usá-la. Mas, isso é uma afirmação válida? O mercado é realmente falho e o Estado competente o bastante para resolver esse problema?

Ex-presidente Dilma e Lorde Keynes - foto: reprodução da internet 
É bem verdade que o mercado oscila, devido as diversas circunstâncias nas quais está submetido, ou seja, avanços tecnológicos, secas, oferta e demanda, inovações de propriedade, má gestão e, principalmente, por crises, que na esmagadora maioria das vezes, não é causada pelo mercado em si, mas sim por um agente estatal (Estado).

O mercado ao qual me refiro é a troca voluntária de bens e serviços entre indivíduos, ações estas, que são movidas por diversos sentimentos, tais como: prazer, ambição entre tantas outras razões que poderiam ser citadas. 

Sem sobra de dúvidas, é correto afirmar que o mercado (como referido acima) é natural e inerente à vida humana. Nesse sentido a pergunta que vem à tona é: qual o peso da interferência do Estado no mercado? Você pode ter pensado "muito grande". Se esse foi o seu pensamento, você acertou, posto que, qualquer mudança artificial modifica drasticamente a vida de diversas pessoas. Às vezes, isso pode passar despercebido e outras vezes não, devido a grandiosidade da interferência. Grande exemplo disso é a crise de 2008.

A maioria das intervenções estatais na economia são sobre o fluxo de crédito, investimento direto do governo (obras públicas, por exemplo) e leis regulamentarias específicas no que tange aos serviços do mercado. Todas essas intervenções alteram drasticamente o efeito de mercado.

O fluxo de crédito natural funciona da seguinte maneira: o dinheiro depositado em bancos é emprestado por eles, em quantidades maiores, pra isso é necessária a criação de papel moeda, por parte do banco central e se feita de maneira natural, a moeda tende a ficar estável ou com uma pequena inflação, tudo vai variar de acordo com a produção de bens gerada pelo mercado. Só que alguns governos alteram o fluxo de crédito de uma maneira artificial, para tentar "aquecer" a economia e assim, criam muito mais papel moeda do que o necessário e dão aos bancos para que eles emprestem o dinheiro, com isso os juros são artificialmente abaixados e mais empresas podem pegar empréstimos, já que uma redução dos juros pode deixar viável alguns novos investimentos.

O problema disso é que gera inflação, ou seja, o poder de compra da população é reduzido. Se essa prática por parte do governo continua por muito tempo, a moeda perde valor muito rapidamente e assim acaba por subir o preço dos alimentos, gera ainda, insegurança no câmbio e com isto, causa crises em algumas áreas e que, seguramente, gera desemprego.

Quando a emissão de papel moeda é reduzida, os juros tendem a aumentar novamente, voltando ao que era antes, ou até subindo, dependendo dos efeitos da inflação e do desemprego que baixa a quantidade de dinheiro poupado e eleva a quantidade de dinheiro sacado, diminuindo a quantidade de dinheiro nos bancos. Os juros altos vão prejudicar, principalmente, a classe empresarial, de forma que, imagine que você é o dono de uma empresa que pegava juros a 10℅ ao ano, com a baixa dos juros, chegando a um patamar de 4℅ (na Suécia a taxa de juros em 2017 era de -0,5) você se sente motivado e com as condições parecendo boas, você decide investir ainda mais na sua empresa, crescendo e gerando emprego. Agora imagine que os juros voltem novamente para a casa dos 10℅ ou subiram um pouco mais e você começa a ter problemas financeiros, o lucro diminui e você tem que demitir empregados, seu investimento se torna prejudicial e você ainda tem uma dívida alta, que se eleva ainda mais com a correção monetária. A falência seria só uma questão de tempo, pois foi exatamente isso, que aconteceu em vários setores da economia nos governos Dilma Rousseff.

Mudando do âmbito privado para o público, vamos falar de investimento estatal, principalmente na área da construção civil. Imagino que você leitor (a) já deva ter visto uma obra pública parada em sua cidade. Os principais objetivos dessas obras públicas são a geração de empregos e o bem-estar da sua população. Tendo esta lógica, pode até se considerar que a ideia em si não é ruim, o problema é o fator humano envolvido, ou seja, os políticos para ser mais específico, pois é de responsabilidade deles a formulação dos projetos e das concessões às empresas que executarão a construção.Nesse momento imagino que por sua mente já passou pelo menos duas coisas: má gestão e corrupção. Sim, são esses os principais problemas das obras públicas no Brasil (mas não os únicos). Às vezes políticos fazem obras apenas visando a corrupção, pois mediante elas, é possível um superfaturamento, desvios de recursos, etc. 

Além desses problemas, outro que se pode elencar e diga-se um pouco mais estranho e anormal que a própria corrupção, é a loucura de alguns políticos, que não parecem ter a menor noção de economia, fazem obras visando apenas a geração de empregos, sem importar se ela vai ou não gerar uma renda, ou vai ser útil para população, para ter uma melhor noção, pesquise sobre as cidades fantasmas da China.

Por ultimo, mas não menos importante, vamos falar das regulações. As regulações do mercado, segundo seus defensores, existem devido a "malvadeza dos capitalistas opressores", se não fossem por elas o cliente seria pisoteado e cuspido pelas empresas, pelo menos é esta a visão das pessoas que as apoiam. O resultado porém, é um pouco diferente do esperado, as regulamentações deixam os produtos ou serviços mais caros e prejudicam o cliente. 

Peguemos por exemplo a regulamentação dos planos de saúde, que determinam o que deve e o que não deve estar incluído nos planos. Esse é um exemplo interessante, pois as vezes, você leitor (a) não quer contratar um pacote de saúde que contenha tratamento para diabetes, por não acreditar que isso vai te afetar, já que você se cuida muito bem e tem uma alimentação bem regulada, porém os pacotes de planos de saúde são escolhidos, não pela empresa, mas pelo próprio Ministério Da Saúde, ou seja, você não é livre para escolher o que você quer ou não quer no seu plano, isso acaba por encarecer os serviços, prejudicando os consumidores, afetando a criação e manutenção de planos de saúde e favorecendo o cartel nessas áreas. Isso é perceptível já que o número de empresas de seguro de saúde vem caindo drasticamente, com a menor concorrência, os preços tendem a aumentar. Isso sem contar as regulações em diversos outros setores, como por exemplo o da comunicação. A Anatel proíbe a entrada de outras redes de telefonia móvel no Brasil e é por isso que só conhecemos as mesmas marcas de telefonia tais como: Claro, Oi, Vivo, Tim e a sumida Nextel.

Deixo aqui uma pergunta: é melhor que o Estado interfira na economia a fim de gerar progresso? Lembre-se, tudo isso é bancado por você e isso afeta você, contribuinte.

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